quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Concordas ou não que o essencial está por vezes à nossa frente e não o vemos, porque estamos absorvidos por bens e situações supérfluas?

Concordo sem dúvida e portanto lembro-me perfeitamente  do texto que a professora nos deu sobre os sentidos. E apesar de não descuidar deles, é dos nossos maiores valores que caí por vezes no esquecimento. O nosso bem essencial não é ter uma psp, se não consegues ver. Não é ter umas vistosas colunas, se não consegues ouvir entre outros. São também estes os bens essências que passam muitas vezes despercebidos, porque muitas das vezes os contemos desde sempre, enquanto à riqueza não. Eu lembro-me de que perto deste natal, (que é quando cresce a hipocrisia), senti-me extremamente útil, mas cheguei a pensar se não estaria a ser hipócrita também. 

Ia eu a passear pela avenida de braga, quando estava um mendigo a tocar flauta. Ele tocava muito bem mesmo e fiquei encantado quando me apercebi que a música que ele tocara era a “yesterday” dos nossos conhecidos Beatlles. Normalmente ouvia da minha mãe a dizer para não dar esmola aos sem abrigo, mas sim comida. Mas naquele momento tudo que tinha era uns trocos para lanchar. Olhei estático vendo que mesmo assim sendo natal, numa caixa que ele tinha, se espalhavam pouquíssimas esmolas e todas elas de pouca quantia, mas já tinha o seu valor. Então senti-me na obrigação de dar esses meus trocos. Pousando então nessa tal caixa, o velho parou de tocar a música, olhou-me nos olhos quase tremidos de choro e disse-me bom natal muito obrigado, tu como jovem irás ser um grande senhor. E eu senti-me como já à muito não havia sentido. Foram poucas as palavras, mas muito especiais naquele momento e dadas por aquela pessoa. E portanto era essencial aquela telepatia e eu não podia deixar escapar daquela vez.

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