Este texto vem simplesmente numa altura de pouco contentamento e muito mais próximo de desespero do que outra coisa. Quando Luís Sttau Monteiro escreveu “Quem é mais feliz: o que luta por uma vida digna e acaba na forca, ou o que vive em paz com a sua inconsciência e acaba respeitado por todos?”, ele muito certamente estaria a passar pela mesma confusão de valores que eu. Afinal como eu digo no título acima, o que será que conta mais? Será a ética, que toda a gente fala e que é tão bonita num papel, mas que ninguém a pratica? Será a moral, que tantas vezes apenas vagueia no nosso pensamento porque somos seres medrosos e não conseguimos enfrentar os enormes pilares? Será que a consciência é um valor em extinção? E porque é que nos encontramos numa permanente guerra entre os senhores de fato e gravata e os pobres de camisa desapertada e calças rasgadas quando todos nascemos da mesma maneira?
Desde muito pequeno que fui despertado para as dificuldades da vida, pois faz parte dos meus pais o lema “darem-se a si próprios do que o universo aos filhos”. A verdade é que certamente eles me tentavam preparar para o pior, para conseguir singrar na vida fosse qualquer questão económica existente, ou sentimental etc. No entanto eu acho que no olhar deles era reflectido um sonho muito permanente e de longo prazo de conseguir nos dar o tal “universo”, no entanto as esperanças são cada vez menos. É simplesmente triste quando sabemos a vida de cão que os nossos pais levam, olhar para aquelas olheiras de tanto trabalho, olhar também para o guarda-roupa deles e vermos uma ou duas peças diferentes, deixando-se sempre para último e a nós a “abarrotar” de roupa por todo o lado. Mas afinal também que filhos somos nós? Acho que também apesar de tudo fomos mal habituados e agora esta crise quer nos ensinar a todo custo, mas de uma forma tão rude que nos dificulta a encará-la.
Voltando aos nossos pais é me muito difícil, talvez ainda mais, quando as contas chegam a casa e lá chega mais um problema, quando eu pensava que problema era não poder ter aquelas sapatilhas que agora estão em saldo e tão mais baratas… Actores? Actores não são aqueles que ganham balúrdios por um papel, que até para o interpretar precisam de não sei quanto tempo de estudo. Actores? São os nossos pais, que recebem uma má notícia das finanças e quando chegamos perto deles e perguntamos se está tudo bem, eles simplesmente escondendo o envelope atrás das costas, conseguem nos dar por improviso o gesto de verdadeiro actor sorrindo acolhendo-nos e dizendo que está tudo bem, quando na verdade não está!
Na minha opinião eu acho que tal como o dia e noite nunca poderão desaparecer, o bem e o mal também não. Eu sempre digo também que a morte não me assusta o que me assusta é em que estado poderei morrer. Eu nunca ambicionei ser rico, mas também não digo que não gostaria, pois certamente geria melhor o dinheiro que muita gente. Mas não me assusta morrer apenas com a roupa que trago no corpo, o que eu quero é morrer com dignidade, honra, respeitado genuinamente e com o meu projecto de vida completado. O meu projecto passa por ser amado e amar, ser amigo e ter amigos, ser filho e ser pai, e o que mais ambiciono é ser psicólogo e conseguir também levar pessoas pela minha mão comigo, com carências de riqueza material, mas com inesgotável riqueza a nível sentimental.
Hoje em dia a crise seja ela sentimental ou económica, é a língua mais falada em todo o mundo e até por cá também se fazem músicas a tentar escapar um pouco há melancolia como a sexta-feira do Boss AC ou os próprios Homens da Luta que coitadinhos também tanto criticam, certamente pela carência monetária no seu bolso. No entanto eu acho que o hino internacional devia passar pela música Paradise dos Coldplay, e todos cantarmos o seu refrão PARADISE! Esperando um milagre que esta sociedade tanto precisa, pois cada vez vive mais triste e sem rumo.
Eu continuo com um olhar ambicioso para o mundo pois cada vez tenho a certeza que ainda não vi foi nada e espero na expectativa, até talvez tudo mude. Se não mudar a vida é bela, temos é de saber vivê-la, agora olhando para aquilo que queremos, temos de escolher uma classe e viver com dignidade ou até sem ela. Eu vejo ricos com problemas e depressões como vejo pobres unidos e alegres há volta da fogueira há espera do seu primeiro alimento do dia quando na igreja já soa as oito da noite. Talvez o melhor é fazer rastas como uma grande amiga minha e viver ao que Deus dará, pois “erva” ainda existe muita…
Não interessa o que interessa é viver, porque infelizmente nem sabemos o que está do outro lado do muro.

Sem comentários:
Enviar um comentário